A maior rebelião já ocorrida no superlotado Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA), terminou ontem à tarde, com 18 mortos. Foram 30 horas de tensão e de horror, em um motim 'sem motivos', segundo o Estado. Dos mortos, 15 cumpriam pena no Presídio São Luís e 3, na Penitenciária de Pedrinhas.

O secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes, classificou o motim de 'barbárie dentro do presídio'. Segundo ele, não houve motivos para que os detentos promovessem a rebelião. Tudo era pretexto para execuções. 'Foi uma situação estranha. Nenhuma reivindicação ocorreu antes com relação a maus-tratos, deficiência na alimentação, nada. Foi uma rebelião que começou simplesmente para cometer uma série de crimes', ressaltou.

O complexo de Pedrinhas, em São Luís, é a principal penitenciária do Estado do Maranhão e abriga 4 mil presos, quando ali deveriam estar apenas 2 mil, conforme dados fornecidos pelo próprio governo do Estado. Há projetos para mais quatro cadeias, aguardando aprovação federal.

Iniciada na manhã de segunda-feira, a rebelião no Presídio São Luís foi encerrada às 13h15 de ontem, depois que cinco reféns que estavam em posse dos presos foram libertados. A liberação só aconteceu após a intervenção de representantes do Ministério da Justiça e do pastor Marcos Pereira, da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias, do Rio, conhecido nacionalmente por libertar traficantes jurados de morte. Um culto evangélico encerrou oficialmente a manifestação.

Início. A rebelião começou depois que o monitor Raimundo de Jesus Coelho, o Dico, entrou no Anexo 3 para autorizar o banho de sol dos detentos. Nesse momento, os presos o dominaram, tomaram a arma e iniciaram o motim. Coelho foi baleado duas vezes e, socorrido por colegas, segue internado em um hospital de São Luís - ele não corre risco de morte.

Na segunda-feira, houve nove mortes. Três vítimas tiveram as cabeças decapitadas. Os demais também tiveram membros decepados. Ontem pela manhã, foram confirmadas mais seis mortes dentro do São Luís. A negociação ocorreu sempre sob clima tenso.

Já cansados, os detentos xingavam os negociadores e diziam querer matar mais companheiros de cela. 'Só pensavam em matar. Nós que impedimos', descreveu o pastor Marcos Pereira. Havia informações, não confirmadas, de que os líderes também ouviam notícias no rádio sobre o horror na penitenciária e gostaram do clima de tensão que havia sido criado.

Reação em cadeia. O motim ainda causou uma reação em cadeia no complexo penitenciário. Na matriz, a Penitenciária de Pedrinhas, iniciou-se nova rebelião ontem - colchões foram queimados, celas quebradas e policiais tiveram de intervir com tiros e bombas de efeito moral.

Em Pedrinhas, onde houve três mortes, o motim também não tem motivação clara. Sabe-se que, na segunda-feira, um detento identificado como Gaguinho foi morto e isso teria sido o estopim para uma briga entre os detentos especiais e os de uma ala chamada de 'fundão'.

Ao contrário da rebelião no Presídio São Luís, a polícia interveio rapidamente na matriz e a Tropa de Choque conseguiu controlar os detentos por volta das 11h30. Em Pedrinhas não foram feitos reféns.

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