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Atualizado: 11/03/2014 19:16 | Por Lucas Nobile, estadao.com.br

Bárbara Eugenia revisita repertório de Diana, cantora romântica dos anos 1970

Artista tachada de 'brega' nos anos 1970 tem sua obra reavaliada pela nova geração


Da série de músicos brasileiros que foram marginalizados a partir da década de 1970, ao serem classificados como popularescos, simplórios e bregas, poucos sofreram tanto quanto Diana. Nos últimos anos, algumas injustiças cometidas contra ícones da música romântica têm sido reparadas, com nomes como Wando, Odair José, Nelson Ned, entre outros sendo regravados e apresentados às novas gerações. Chegou a vez de Diana.

Aos 64 anos, ela reapareceu na mídia tradicional e em diversos blogs no ano passado, após a cantora Bárbara Eugenia ter gravado, no disco É O Que Temos, o hit de Diana Porque Brigamos. E, a convite de Bárbara, as duas sobem ao palco do Sesc Pinheiros para interpretar o repertório do álbum Diana, de 1972.

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"Ela tocou a minha alma, não o meu ego. Tive conhecimento da gravação que ela fez e estava em casa vendo a Bárbara dar uma entrevista na TV Cultura, quando de repente ela mostrou o meu disco, eu fui às lágrimas", conta Diana. "A repórter disse a ela: 'Mas a Diana não é brega?'. A Bárbara respondeu: 'Diana é um clássico, uma cantora romântica, apaixonada'. A palavra brega me incomoda muito, e a atitude da Bárbara me tocou."

Bárbara Eugenia conheceu o disco de Diana em 2008, quando o guitarrista, compositor e produtor Fernando Catatau, da banda Cidadão Instigado, lhe apresentou o álbum. Catatau, aliás, participará do show de hoje. "Ano passado cantei na Virada Cultural, na rua. Muita gente que nem me conhecia veio falar comigo depois do show, dizendo: 'Que legal que você canta Diana'. Não só ela, mas vários músicos daquela geração foram marginalizados. É injusto, esse cancioneiro romântico é uma das maiores riquezas da nossa música", diz Bárbara.

"Esse disco é um clássico da música brasileira, não para todo mundo, mas tem vários sucessos. Antigamente era diferente, não tinha esse mercado paralelo, os artistas dependiam da grande mídia e da estratégia de marketing das gravadoras. Quem ouvia esses artistas era o povo. A elite, mesmo gostando, renegava. Acho muito bom essa galera toda ser regravada, voltar a fazer show, tem mais gente conhecendo", comenta Catatau.

Informalmente conhecido como "Disco Azul", o álbum marcou a estreia de Diana em LP pela CBS, a convite do diretor artístico Evandro Ribeiro, para que ela substituísse Wanderléa. Com produção de Raul Seixas, a cantora, que hoje assina o nome como Dianah, estourou nas paradas.

"O disco está vendendo há mais de 40 anos consecutivamente, graças a Deus, a Seu Evandro Ribeiro, que era produtor meu e de Roberto Carlos, e a Raul Santos Seixas, meu Raulzito, meu irmão. Todo mundo queria tocar comigo, Antonio Adolfo, Arthur Verocai, banda Azymuth, Perinho Albuquerque... Será que Raul Seixas era tão brega assim?", questiona Diana. "Eu sou uma cantora estritamente romântica. Por que a Marisa Monte canta Amor I Love You e eu sou a simplória?"

Marginalizada pelo rótulo de cantora brega, Diana sente ter sofrido injustiças, mas nenhuma delas, segundo a própria artista, a prejudicou mais do que a manchete estampada em um jornal carioca nos anos 1970 que dizia que ela havia dado uma facada em seu ex-marido, o também cantor e compositor de grande sucesso naquele período, Odair José. Ambígua, a notícia tratava de uma "facada" financeira que Diana teria dado no ex-companheiro, mas também foi interpretada de maneira literal, como se ela tivesse de fato esfaqueado o músico.

"Aquilo acabou com o meu pai, com a minha mãe e comigo. Disseram para ele (Odair): 'Vamos dizer que a Diana te deu porrada, que você vai vender disco pra cacete'", lamenta Diana, com lágrimas nos olhos. "Eu fui esposa, não fui ficante, não fui quenga de ninguém. Eu pergunto: se eu tivesse utilizado algum objeto cortante contra alguém, estaria aqui agora ou estaria num presídio? A mídia acabou comigo, mas nunca deixei de fazer meus shows, faço por amor", completa Diana, que promete contar essa e outras histórias por completo em sua autobiografia, ainda sem previsão de ser concluída e lançada.

BÁRBARA EUGENIA E DIANA

Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, telefone 3095-9400. Quarta, às 21 h. De R$ 6 a R$ 30

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